O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, chega quinta-feira a Ancara onde deverá discutir a questão energética, numa altura em que a Turquia desempenha um papel crescente como corredor entre os países produtores de hidrocarbonetos e a Europa.
«A cooperação no domínio da energia será uma questão principal na agenda», afirmou um assessor do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.
Situada entre a Europa e os vastos campos de petróleo e de gás do mar Cáspio e do Golfo, a Turquia tem visto crescer nos últimos anos o papel de corredor energético com destino aos mercados europeus.
No mês passado, Ancara foi anfitriã da assinatura de um acordo sobre a construção do gasoduto Nabucco, que deve encaminhar a partir de 2014 gás do Cáspio para a Bulgária, Roménia, Hungria e Áustria, passando pela Turquia.
O projecto visa reduzir a dependência energética europeia em relação à Rússia. Mas a Turquia tem tido cuidado para não ostracizar Moscovo - o seu principal parceiro comercial e fornecedor de gás - e Erdogan sublinhou que a Rússia também poderá alimentar o Nabucco.
«Trata-se de uma proposta a longo prazo», declarou. «A participação da Rússia no projecto não prejudicará o objectivo de diversificação do abastecimento energético», adiantou.
Em concorrência directa com o Nabucco, a Rússia desenvolveu o seu projecto de gasoduto com destino à Europa, o Southern Stream, e poderá tentar conseguir o acordo de Ancara para a passagem das condutas através das águas territoriais turcas no mar do Norte, segundo os «media» turcos.
A Turquia já está ligada à Rússia, via mar do Norte, pelo gasoduto submarino Blue Stream.
Na esperança de atrair o petróleo russo e do Cazaquistão, Ancara apoia um projecto de oleoduto entre os seus portos de Samsun, no mar do Norte, e Ceyhan, no Mediterrâneo, que serve de terminal para os oleodutos que encaminham petróleo do Azerbaijão e do Iraque.
O projecto muitas vezes adiado da construção da primeira central nuclear turca também deverá ser discutido.
O assessor de Erdogan indicou que as discussões entre os dois chefes de governo incluiriam também o Cáucaso.
A Rússia desempenha um papel de mediação no conflito que opõe o Azerbaijão e a Arménia pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, diferendo cuja resolução é crucial para uma normalização das relações entre Ancara e Erevan.
A Geórgia constitui outra questão delicada nas relações russo-turcas, com Ancara a apoiar a vontade de Tbilissi de aderir à NATO apesar da oposição de Moscovo ao projecto.
O volume do comércio bilateral entre a Rússia e a Turquia atingiu em 2008 os 37,8 mil milhões de dólares (26,4 mil milhões de euros).
A Rússia fornece à Turquia 60 por cento das suas importações de gás e mais de um milhão de turistas russas deslocam-se anualmente à Turquia.




